terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Exposição de arte “Prato Feito”, de Valter Hamaguchi, é inaugurada


Peças da mostra retratam momentos à mesa em restaurante de Joinville e fica disponível até março

Nesse dia 19 de dezembro, segunda-feira, a exposição “Prato Feito” terá sua noite de lançamento para convidados do artista Valter Veiga Garcia Hamaguchi, de 25 anos, também colaborador do Jornal Classe A. Localizada na D.O.C. Cucina & Co, as peças têm como tema “mesa e amigos”. Confira entrevista abaixo com o artista.


Fale um pouco sobre a exposição

Como é uma exposição num restaurante, eu tive a ideia de fazer alguma coisa voltada para esse meio. Ao mesmo tempo disso, ela deve ser comercial também, não dá para ficar tão focado na comida. A ideia que eu tive dessa exposição foi fazer uma exposição chamada “Prato Feito” e o tema basicamente é “mesa e amigos”. Porque você não senta em uma mesa com qualquer pessoa. Você sempre senta em uma mesa por algum motivo. Geralmente você tem alguma afinidade, alguma história com as pessoas que sentam numa mesa, seja mesa de bar, de restaurante...

Como ficou dividida a exposição?

A exposição é dividida em retratos. Como se tivesse uma câmera em cada pessoa da mesa. Cada pessoa tem uma expressão como se estivesse numa mesa mesmo. São 14 quadros no total, alguns maiores e outros menores. Essa exposição, eu fiz a convite deles. E uma coisa que marca bastante essa exposição com o tema mesa, é que eu trabalhei com bastante tecido que lembra mesa: tecido xadrez de botequim, aqueles tecidos estampados que remetem à cozinha, mesa, essas coisas desse tipo. À medida que for vendido, damos um prazo de uma semana para entregar o quadro. Nesse meio tempo, eu faço outro para colocar no lugar.

Esse outro quadro é igual?

Não. Cada quadro é único. Eu acredito muito nesse negócio das coisas serem manuais. Nesse meio da arte, tudo se digitalizou. Eu vejo pela área de moda, hoje em dia tudo feito no Corel no Photoshop, tudo é vetorizado... Eu prezo muito pelas coisas serem únicas, sem muito artifício digital.

De onde que vem a inspiração?

Eu tenho muito esse negócio de desenhar pessoas, situações. Esse é meu primeiro trabalho com tema. A minha primeira exposição foi na Pixel. Como era uma exposição num barzinho, eu sempre tento combinar com o local. Então fiz uma exposição mais voltada para noite, com situações mais ligadas à noite que eu já vivi ou que presenciei ou que vi alguma coisa assim nesse sentido... São situações que eu já passei ou vem mesmo, como nesse caso da mesa... tem quadros que eu fiz que são seis retratos juntos, então, eu fico imaginando como seria uma mesa de seis pessoas... Uma pessoa contando um drama, outra contando o sucesso que está tendo... Amigos dividindo a vida, sabe? Mas não sei te dizer da onde vem a inspiração... Vem da cabeça, mesmo... (risos).

Como ficará a disposição dos quadros?

A primeira coisa que fiz foi conhecer o lugar. Então, o D.O.C. é todo em madeira de demolição, tem todo um conceito bem moderno... E tem uma coisa que passa para a cor quente. A exposição vai toda colorida, meio favela chique, meio kitsch... Então a exposição vai ficar provavelmente numa parede só. Não vai ter muito artifício, além dos quadros expostos...

Como foi a resposta do público na Pixel?

Foi bem legal. Era voltado para a noite e coisas do tipo, tinha uns temas um pouco mais pesados... Então, mesmo com esses temas um pouco mais conceituais, eram 13 quadros e eu vendi sete. Teve um retorno legal, porque eu vi que tem um mercado de pessoas que compram por aquilo que pensam realmente e não por aquilo que os outros vão pensar. A pessoa viu meus quadros um pouco mais chocantes, mas não deixou de comprar por causa disso. Ela entendeu a exposição, entendeu as ideias dos desenhos e adquiriu aquele quadro mesmo assim.

Você chegou a pensar que não ia vender nada?

Na verdade, fiquei com bastante receio, porque a partir do momento que você coloca o seu produto à mostra, você “está dando a sua cara para bater”. Então, fiquei pensando que as pessoas poderiam não entender direito, ou coisas assim, e eu levar umas críticas fortes. Mas todo mundo que eu falei, gostou bastante do trabalho e eu acho que ter vendido essas sete peças lá foi uma resposta disso. Os quadros que sobraram da Pixel, a Mobil, que é uma loja de design, pegou para vender.

O que você pode falar sobre cores que você utiliza?

Até um tempo atrás eu fazia tudo em uma cor só. Caneta, sombreava, mas não trabalhava com cores, não pintava. Um pouco antes da exposição na Pixel, comecei a trabalhar com cor e com recorte. Trabalhar um fundo, uma roupa numa cor diferente, para não ficar numa cor só. Para essa exposição na D.O.C., usei bastante cor quente – amarelo, laranja e vermelho – porque acho que combina com o ambiente. E para contrapor usei um pouco de roxo e azul, para não ficar tudo tão quente. Mais os tecidos, tem bastante verde, vermelho enfim... Mas no geral ficou bem colorido, uma coisa meio El Caminito, Buenos Aires.

E suas técnicas?

A que eu mais domino é desenhar com caneta esferográfica. É a que eu mais gosto também. Acho simples e é um material acessível. E o grafite também. São as que eu mais gosto de trabalhar.

Quais são suas influências nesse mundo?

Tem muita coisa. Pop art é uma influência muito forte no meu trabalho. De fotografia, o que me chama muito a atenção é o Terry Richardson e David LaChapelle também. São artistas com identidade forte, que passam uma ideia do que eles querem sem medo do que as pessoas vão pensar, sendo comercial ou não.

O que as pessoas podem esperar dessa exposição de agora?

Acho que o meu trabalho é bem contemporâneo. É novo. É uma coisa que você não vê em qualquer lugar. Um trabalho bem diferenciado, tem uma identidade bem forte. As pessoas têm que ir lá para prestigiar, independente se for comprar ou não. As pessoas podem ir ver coisas novas, pois disso pode surgir a inspiração para outras coisas. Se os desenhos te passam alguma coisa, essas sensações você tem que ter. Tudo que é arte te passa uma sensação e isso é legal.


Texto publicado originalmente no Jornal Classe A

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