sexta-feira, 13 de março de 2009

Rafael Malenotti toca com maestro Mello sucessos do rei Roberto Carlos


foto: Renato César Ribeiro

Muito bem trajado, o vocalista dos Acústicos e Valvulados, Rafael Malenotti subiu ao palco montado no Inconfidência, em Joinville, e cantou alguns dos maiores sucessos do rei Roberto Carlos. Estavam inclusas no setlist faixas como “Amigo”, “Eu te amo, eu te amo, eu te amo”, “Emoções”, “Quando” e “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”.

O local estava lotado na noite de quinta-feira, 12 de março. O cantor demonstrou toda a sua potência vocal nos clássicos dos anos 1960 e 1970. O clima estava contagiante. A música bem apresentada, o lugar de bom gosto e um público que não é fácil encontrar em Joinville. Surpreendentemente, os joinvilenses compareceram ao espetáculo. Espera-se que isso se repita cada vez mais.

Durante a tarde, Malenotti passou algumas canções com o conjunto do maestro Mello e aproveitou para responder a algumas perguntas.

Renato César Ribeiro: Como é esse projeto com músicas do Roberto Carlos?

Rafael Malenotti: Eu já tinha esse projeto quando morava no Rio Grande do Sul. Fiz uma temporada em Porto Alegre e pelo interior do estado. Era uma banda com amigos, quando não estávamos trabalhando em nossos projetos autorais. Cheguei a gravar um CD com dez músicas que distribuo de presente só para amigos, uma forma de despedida de Porto Alegre. Vim morar em Floripa (Florianópolis) e recebi um convite do maestro, que já tem uma banda pronta. Só cabia vir aqui e cantar. A princípio esse é o primeiro, talvez seja o primeiro de outros. Tocamos aí com a rapaziada do Nós na Aldeia e está ficando legal.

RCR: Como é o seu cuidado com a sua voz? (Rafael Malenotti estava se poupando durante a tarde para estar com a voz perfeita na apresentação naquela noite)

RM: Na verdade não tenho muito cuidado não. Se tivesse não precisava ficar poupando assim. Ontem já ensaiamos por quatro horas. Na primeira, estava tudo legal, perfeito; mas, depois, a voz foi acabando. Eu bebo, fumo, grito no jogo de futebol, com as crianças em casa. Aqueles “cantores profissionais” não fazem essas coisas. Eu abuso muito da minha voz. Meu cuidado é para não gastar antes do momento principal. Eu tenho essa voz rouca, na verdade é voz de estrada mesmo de beber e gritar (risos). Ainda mais que no Acústicos forço mais a minha voz, as músicas pedem mais. Eu sou naquele estilo: “mais raça do que técnica”. Porque aqueles “cantores profissionais” deixam de fazer um monte de coisa como comer chocolate, laticínios, bebidas. Se eu tiver de deixar de comer chocolate essas coisas, nem vivo mais.

RCR: Porque você se mudou para Florianópolis?

RM: Cara, morei 33 anos em Porto Alegre. Chega uma hora que você quer trocar de ares. Então eu aproveitei que as minhas filhas ainda são pequenas, que é o melhor momento para mudar, e vim para cá. Faz três anos que estou morando em Floripa. Na verdade, Floripa é o lugar que eu sempre ia quando tinha um tempo sobrando. Então eu deixei de perder tempo de colocar as coisas no carro e viajar mil quilômetros. Agora é só pegar um ônibus que já estou em casa. Me dediquei ao Acústicos e ao rock por 15 anos, sempre na estrada, então procurei um lugar melhor para morar. Vendi o estúdio que tinha, o Bafo de Bira, que todo mundo freqüentava, vendi a minha casa e vim. Só que agora para cumprir as obrigações com a banda eu ando mil quilômetros a mais do que os outros. Mas se eu não gostasse de estrada, eu não tinha tanto tempo de banda.

RCR: Essa mudança influenciou alguma coisa no seu som?

RM: Não. O som não muda, até porque eu continuo escutando as mesmas bandas que gostava. O pessoal da banda até brincou que eu iria começar a fazer reggae. Mas não. O rock é o que corre nas minhas veias.

RCR: Como está o novo disco dos Acústicos e Valvulados?

RM: Estamos fazendo a pré-produção. Selecionamos de 25 a 30 músicas para gravar na pré-produção e devemos escolher metade disso para o disco.

RCR: Mas não tinha como manter um disco com todas essas músicas?

RM: Nós até fizemos isso no CD e DVD “Ao Vivo E A Cores”. Pois ensaiamos bastante as 20 músicas para a gravação e não vimos motivos para cortar.

RCR: E musicalmente como está o novo álbum?

RM: Estamos ainda fazendo as novas músicas e tivemos a entrada de novos músicos, que se fixaram na turnê do ao vivo. Eles vêm agregar com as suas influências. Temos mais um guitarrista (Daniel Mossman) e um pianista (Diego Lopes) excelente. O resultado disso é um lance que nem sei explicar ainda. Nós antes éramos um quarteto e agora temos que nos acostumar com essa nova formação.

RCR: Agora morando em Florianópolis, o que você conhece do rock catarinense?

RM: Conheço todo mundo dos nomes mais ativos. Já fiz shows com Maltines, Aerocirco e Kratera. Antes já conhecia o Dazaranha, John Bala Jones e Iriê. Também conheço todos do Clube da Luta, que se reúne toda sexta-feira. Na verdade, quando vim morar em Floripa, quase não tirei a cara de casa. Estava descansando mesmo. A turnê do ao vivo tinha sido bastante intensa. Agora gravando o disco novo começamos a pensar na música de novo, você fica num ritmo doentio. A sorte nossa é ter noites como hoje para quebrar a rotina. Uma merecida homenagem ao rei Roberto Carlos.

Nenhum comentário:

Destaques

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...