terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Rappa – Instinto Coletivo Ao Vivo


Em 2000, O Rappa estava no auge. O baterista ainda era Marcelo Yuka, que não havia sofrido o ataque que o deixou paraplégico. Assim, além do eficiente instrumentista na bateria, a banda contava com Marcelo Falcão, nos vocais; Marcelo Lobato, nos teclados; Xandão, na guitarra; e Lauro Farias, baixo. Ainda tocava com o grupo o DJ Negralha. No ano seguinte, aconteceu a tragédia com Yuka e chegou às lojas “Instinto Coletivo Ao Vivo”.

Houve ainda uma tentativa de Yuka participar somente através da composição, mas as coisas não deram certo e ele acabou saindo da banda. Ele chegou a declarar que havia sido expulso. É difícil saber quem está falando a verdade ou até mesmo qual é a verdade. De qualquer forma, o primeiro álbum ao vivo do grupo havia sido lançado, mostrando a turnê do aclamado “Lado B/Lado A”, de 1999, e mais três inéditas.

Em forma, O Rappa mostrava um espetáculo empolgante pop e ao mesmo tempo experimental. Após a introdução, a primeira música a ser tocada é “Tumulto”, do álbum “Rappa Mundi”, 1996. A bateria marcante e os gritos guerreiros de Falcão ecoam pelo local. Percebe-se que inclusive a platéia estava coesa com a banda. A distorção da guitarra de Xandão dá o ar condizente com a forte canção.

Apesar de a bateria ser tocada, a batida é como se fosse de música eletrônica, algo que lembra o Prodigy em seu tempo áureo, junto com as sonorizações que os instrumentistas conseguem. Tudo isso acontece em “Se Não Avisar O Bicho Pega”, do já clássico “Lado B/Lado A”. Realmente neste álbum, todas as músicas são empolgantes. O teclado de Lobato também entra bem, como se fosse uma sirene.

Um dos grandes sucessos de rádio do O Rappa é “Miséria S.A.”, que também conta com uma bela gravação. Uma das melhores faixas deste ao vivo é “Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro”, do álbum de estréia “O Rappa”, lançado em 1994. Só o título da canção já mostra o que vem. Aqui a banda mostra o quanto estava bem. Todos os instrumentos entram com perfeição, não há nada de mais ou de menos.

Um pouco mais manhosa, “Homem Amarelo”, do disco de 1999, mostra uma mistura bem trabalhada de refrão mais cadenciado com refrão potente. O grande hit do O Rappa não poderia faltar: “Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)”, do mesmo terceiro álbum “Lado B/Lado A”. É nessa hora que o público aparece um pouco mais no som do CD.

Ainda do mesmo lançamento, “Cristo E Oxalá” mantém a ritmo cadenciado do som do grupo. A versão para o sucesso de Jimi Hendrix, “Hey Joe” ganha uma potente versão, melhor que a do disco de estúdio “Rappa Mundi”. Falcão suspira: “Sempre rola aquele amor antigo...”. O guitarrista Xandão faz a parte cantada originalmente por Marcelo D2 imprimindo sua própria veia na canção.

Após a grande tempestade sonora, O Rappa demonstra um pouco da malemolência carioca em “Nó de Fumaça”, de “Lado B/Lado A”. Do “Rappa Mundi”, a faixa “O Homem Bomba” começa com uma experimentação com o DJ para depois cair no rockão que faz jus ao nome. Outro grande sucesso presente é “Me Deixa”, ainda mais naquela época em que a música estava nas rádios.

Uma bela canção “Vapor Barato”, de Waly Salomão e Jards Macalé, aparece para fechar o primeiro disco deste lançamento duplo. Essa música vem para trazer a calmaria depois de tudo que se passou. É bom dar uma abaixada para depois voltar com tudo no segundo disco. Mais uma vez, os fãs soltam o gogó e cantam com Falcão.

A segunda parte do lançamento duplo é menor, tem apenas 38 minutos de duração com três faixas do show e mais inéditas e lados b. O ritmo forte de “Lado B/Lado A” abre este CD. Uma das mais marcantes versões é essa “A Feira”, Falcão começa cantando uma vocalização que não tem no original do “Rappa Mundi”. A música é tocada de forma diferente daquela de 1996, aqui ela está bem melhor e com mais pique.

“Ylê Ayê”, também famosa na voz de Gilberto Gil fecha o show. Claro que a versão de O Rappa é muito mais rockeira com distorções e o vocal grave e rasgado de Falcão. Mas o “Instinto Coletivo” ainda não acabou. Tem a pesada “Ninguém Regula A América” com participação do Sepultura, faixa que foi single na época. Uma grande composição de Yuka em uma de suas últimas colaborações.

Ainda com letras do ex-baterista, “Milagre” é uma grande canção calma do O Rappa: “O som dos dias que distanciam, a nossa melhor metade que vai ficando de lado, pelo medo de não dormir que vai ficando de lado”. Outra faixa de trabalho da banda foi “Instinto Coletivo”, também escrita por Yuka, com um rap cantado pelo próprio compositor e mixada pelos ingleses do Asian Dub Foundation.

O disco “Instinto Coletivo” apresenta ainda “Fica Doido Varrido”, gravado para um especial de carnaval do canal MTV. Fecha o álbum o remix de “R.A.M”, da estréia da banda de 1994, pelo Asian Dub Foundation. Aqui está um registro do que O Rappa já foi e dificilmente será. Continua fazendo sucesso com certeza, mas a qualidade musical será diferente, mas nunca igual.


Nota 8


Músicas de “Instinto Coletivo Ao Vivo”

Disco 1

1. Intro
2. Tumulto
3. Se Não Avisar O Bicho Pega
4. Miséria S.A.
5. Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro
6. Homem Amarelo
7. Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
8. Cristo E Oxalá
9. Hey Joe
10. Nó de Fumaça
11. O Homem Bomba
12. Me Deixa
13. Vapor Barato

Disco 2

1. Lado B/Lado A
2. A Feira
3. Ylê Ayê
4. Ninguém Regula A América
5. Milagre
6. Instinto Coletivo
7. Fica Doido Varrido
8. R.A.M remix ADF

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