quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Manu Chao – Clandestino


Manu Chao é um cantor diferenciado. Francês de nascença, ele pode ser considerado um cidadão do mundo. Poliglota, sua música é cantada em inglês, francês, espanhol, galego e português. O som sofre influências diversas, como as músicas da América Latina espanhola e outras sonoridades distintas. Seu álbum de estréia, “Clandestino”, de 1998, fez bastante sucesso no Brasil, especialmente com a faixa título.

Com seu jeito meio neo hippie, Manu Chao abre o disco “Clandestino” com o grande sucesso homônimo. Esta faixa de toque de violão peculiar foi regravada por, pelo menos, dois artistas brasileiros. Adriana Calcanhoto cantou a faixa em sua versão original em espanhol só com um violão no CD/DVD ao vivo “Público”, de 2000. Os rockeiros do Tihuana traduziram a composição para o português em seu álbum de estréia, “Ilegal”, também lançado em 2000.

Manu Chao passa para uma espécie de salsa minimalista na música “Desaparecido”, ainda em espanhol. Uma das melhores faixas do disco é “Bongo Bong”, cantada em um inglês cheio de sotaque e um ritmo contagiante muito bem realizado tirado com pequenos sons de guitarra. A sonoridade é mantida na música seguinte. Só que o idioma agora é francês: “Je Ne T’Aime Plus”.

O reggae aparece em “Mentira...”, novamente em espanhol, em que a mistura de instrumentos forma a sonoridade única desse cidadão do mundo. Num ritmo mais ao estilo de andinos e latinos, Manu Chao solta a sua voz anasalada em “Lagrimas de Oro”, com direito a participação de metais. O balanço calmo e instigante retorna em inglês em “Mama Call”. Um som à la mexicanos e sombreros forma “Luna Y Sol”.

Um toque reggae de guitarra limpa abre “Por El Suelo” e segue por toda a faixa. Perceba que a maioria das composições são cantadas em espanhol. É nesta música que aparece a frase na capa do álbum: “Esperando la ultima ola...”. Uma faixa em que existe algo de psicodelia é “Welcome To Tijuana”. “Welcome to Tijuana, tequila, sexo, marijuana”, canta Manu Chao. Devagar o cantor vai em “Dia Luna... Dia Pena” para depois descambar em ritmo mexicano/latino/cigano em “Malegria”.

O ritmo suingado de reggae em guitarra limpa retorna em “La Vie A 2”, em que Manu Chao canta no idioma de sua terra natal. A única canção em português do disco “Clandestino” é “Minha Galera”, que em sua turnê pelo Brasil, neste ano de 2009, cantou com o Mundo Livre SA, no Recife. O som lento com pitadas de percussão faz “La Despedida”, em que o cantor mostra habilidade em cantar notas agudas.

O álbum “Clandestino” fecha devagar com “El Viento” com a batida reggae seca de uma guitarra limpa e a voz de Manu Chao. Mostrando um som diferente, alternativo sem ser rock, mexicano/latino sem ser caricato. Esse é o cidadão do mundo que permanece em evidência mesmo mais de dez anos após esse lançamento.


Nota 7


Músicas do álbum “Clandestino”

1. Clandestino
2. Desaparecido
3. Bongo Bong
4. Je Ne T’Aime Plus
5. Mentira...
6. Lagrimas de Oro
7. Mama Call
8. Luna Y Sol
9. Por El Suelo
10. Welcome to Tijuana
11. Dia Luna... Dia Pena
12. Malegria
13. La Vie A 2
14. Minha Galera
15. La Despedida
16. El Viento

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