domingo, 22 de fevereiro de 2009

Guns N’ Roses – Chinese Democracy


Definitivamente Axl Rose não é mais o mesmo dos tempos áureos, no final da década de 1980. Prometido desde 1993, o álbum de inéditas “Chinese Democracy” deixou muitos fãs e críticos desapontados. Com tanto tempo de produção, Rose mostra claramente que sua voz não é tão boa mais, além de apresentar composições de um hard rock de gosto duvidoso.

Vocalista e único remanescente original, Axl Rose não chega perto de seus maiores e antigos sucessos. Um pouco disso se confirma com a atual formação do Guns N’ Roses com as guitarras de Richard Fortus e Ron “Bumblefoot” Thal, o baixo de Tommy Stinson, as baterias de Brian “Brain” Mantia e Frank Ferrer, e os teclados de Dizzy Reed e Chris Pitman. Este último ainda faz a programação eletrônica, que por sinal se torna um exagero no meio de tantos sons.

A faixa que dá nome ao disco é a de abertura: “Chinese Democracy”. Percebe-se que foi tentado mostrar que o Guns N’ Roses ainda tem potência, considerando a guitarra pesada do início. Mas o vocal de Axl Rose desaponta de cara, pelos vários efeitos e pelos vocais de apoio de Dizzy Reed e Tommy Stinson em praticamente toda a música.

Em “Shackler’s Revenge”, o peso, a programação eletrônica e o vocal grave irreconhecível estão mais para Slipknot do que para Guns N’ Roses, ainda mais considerando o guitarrista ex-mascarado Richard Fortus, em seu personagem Bucket Heat. O álbum também tem algo do rock mais parado em “Better”. O grande problema da faixa está justamente nas notas instáveis de Axl Rose.

O band-leader volta a dedilhar o piano para tentar lembrar antigos clássicos em “Street Of Dreams”, mas novamente um som grave e esquisito sai da boca de Rose. Porém é também nesta faixa que ele consegue cantar agudo e rasgado como antigamente. Só que até onde isso é correção de estúdio e onde é real se torna uma incógnita.

O disco “Chinese Democracy” tem até um flerte com um som mais funkeado em “If The World”, que chega a lembrar o álbum “Reanimation” do Linkin Park, um remix do disco de estréia “Hybrid Theory”. Em “There Was A Time”, o Guns N’ Roses abusa de sintetizadores e chega a soar como o nu metal, de bandas como Limp Bizkit. Talvez se essas canções tivessem sido lançadas há cerca de nove anos, teriam feito mais sucesso.

Sobrou até para “O Apanhador No Campo de Centeio”, cujo título original é “The Catcher In The Rye”, nomeia uma música deste álbum. Pode parecer engraçado, mas em alguns momentos nesta faixa, o Guns N’ Roses lembra o Velvet Revolver, banda dos outros integrantes originais do Guns: Slash, guitarra; Duff McKagan, baixo; e Matt Sorum, bateria.

Vocalizações são momentos em que somente quem realmente entende do assunto devem se aventurar. É justamente isso que Axl Rose inventou em fazer no início de “Scraped”, para depois cair no hard rock comum do Guns. Lembre-se que a voz de Rose não é mais a mesma de antigamente. Isso é só um aviso...

Barulhos estranhos iniciam “Riad N’ The Bedouns” para depois entrar uma guitarra na distorção que The Edge, do U2, usa bastante. O problema é que Axl Rose parece ser Falcão do O Rappa, e, como o brasileiro, resolve usar o mesmo truque das vocalizações em mais de uma música. Aqui, está o Axl repetindo o que fez na faixa interior com o mesmo gosto duvidoso.

Em uma faixa mais parada, volta o vocal grave e cheio de efeitos. Violões chegam a aparecer em “Sorry”. Mas a voz de Axl parece sair de uma múmia. O Velvet Revolver é melhor do que esse Guns em fazer canções calmas, vide “Loving The Alien”, do álbum de estréia “Contraband”, de 2004. O vocal de “Sorry” até que não é dos piores, mas é complicado o sentimento de quem escuta numa hora dessas.

Violões e um solo limpo de guitarra se misturam à batidas eletrônicas no início de “I.R.S.”, depois é mais uma balada rock do Guns N’ Roses, sem a mesma qualidade de antigamente. Uma batida rap surge em “Madagascar”, com um sintetizador seguindo a música inteira. O refrão é hard rock, como não poderia deixar de ser.

O piano está de volta em “This I Love”, em que Axl Rose começa controlando um pouco mais a voz, mas daí tenta solta-la, e até consegue com êxito em alguns momentos. Mas a desconfiança ainda é grande e o vocalista vai ter que melhorar para convencer. O instrumental não é ruim, mas parece faltar um pouco mais de emoção para uma balada.

No final, o Guns N’ Roses mostra um pouco mais de pop em “Prostitute”. Batida leve, piano, guitarra limpa, vocal manso e controlado. Mas é claro que eles querem mostrar que ainda são rocker e, por isso, há espaços para as distorções pesadas fazerem aquele contraste.

Depois de tanto tempo de espera pelo lançamento de “Chinese Democracy”, nota-se que musicalmente Axl Rose está sentindo falta de seus ex-companheiros, hoje no Velvet Revoler.


Nota 6


Músicas de Chinese Democracy

1. Chinese Democracy
2. Shackler’s Revenge
3. Better
4. Street Of Dreams
5. If The World
6. There Was A Time
7. Catcher In The Rye
8. Scraped
9. Riad N’ The Bedouns
10. Sorry
11. I.R.S.
12. Madagascar
13. This I Love
14. Prostitute

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