sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Jimi Hendrix – Live At Woodstock


Guitarristas existem aos montes por aí. Como diz o ditado: é só espirrar que caem quatro deles na sua frente. Há também diversos bons tocadores do instrumento de seis cordas, alguns deles chegam a fazer sucesso e tudo mais. Mas poucos podem ser chamados de gênios. Jimi Hendrix faz parte desta última turma. Ele mesmo falava: “Tocar blues é fácil. O difícil é você sentir o blues”. Quando se vê Jimi tocando, você percebe que ele sente o que toca.

Agora imagine o maior guitarrista de todos os tempos, segundo muita gente, no mais significativo evento da história do rock. Isso é “Jimi Hendrix – Live At Woodstock”. A maioria das pessoas que foram ao festival não assistiu à apresentação de Jimi. Isso porque seu show estava marcado para fechar o evento à meia noite de domingo, 18 de agosto de 1969, para segunda. Devido aos problemas com o tempo, no sábado caiu uma grande chuva e atrasou tudo, Jimi Hendrix subiu ao palco somente às 9 horas da manhã já de segunda.

Com isso, dos 500 mil espectadores que chegaram ao local somente 150 mil estavam presentes na hora de Jimi, talvez tenha sido bem menos, outras fontes dizem que só 35 mil sobraram. E porque os malucos belezas não esperaram a grande atração? Apesar de toda a áurea hippie dominante, a maioria eram trabalhadores e já estavam em seu emprego quando Jimi Hendrix começou a tocar. Com certeza perderam uma das melhores apresentações de Woodstock.

Disco 1

O show já começa com uma gafe do apresentador Chip Monck, que disse que era a banda Jimi Hendrix Experience entrando. Ao subir ao palco, o guitarrista corrigiu que ele estava acompanhando da Gypsy Suns and Rainbows, composta por Mitch Mitchel, bateria (esse também da Experience); Billy Cox, baixo; Larry Lee, guitarra base; e Jerry Vélez e Juma Sultan, percussão.

Jimi Hendrix começa a destilar toda a sua habilidade na guitarra já em “Message To Love”. Aqui também se percebe a boa voz que ele tinha, só que Hendrix tinha vergonha de seu vocal, tanto que quando ia gravar em estúdio não deixava ninguém vê-lo cantando escondido atrás de um biombo. Na faixa “Message To Love”, ele toca as notas acompanhando a letra cantada em algumas partes.

Com um potente riff de guitarra em conjunto com uma bela entonação no vocal - “Have you heard about my baby?” (Você ouviu falar da minha menina?) -, Jimi Hendrix apresenta “Hear My Train A Comin’”. Faixa regravada por Cássia Eller no disco “Cássia Rock Eller”, de 2000. Na versão de Woodstock, o baixo de Billi Cox também se destaca no fundo dos solos do guitarrista chefe.

O ícone do rock mostra mais um petardo musical em “Spanish Castle Magic”, com destaque à bateria de Mitch Mitchell. Jimi Hendrix mostra o que é um bom blues em “Red House”. Ele volta ao rock, que chega a ser dançante, em “Lover Man”, com direito a parada para a guitarra soar sozinha. Um dos vários clássicos deste ao vivo é “Foxey Lady”, regravada pelo Ira! em seu DVD de “Invisível DJ”, 2007.

O primeiro dos dois discos deste “Live At Woodstock” fecha com a “Jam Back At The House”, que nada mais é do que uma faixa instrumental, em que Jimi Hendrix podia trabalhar sua sonoridade como queria.

Disco 2

Em seguida, o guitarrista toca “Izabella”, abusando mais uma vez da distorção e da habilidade instintiva na guitarra. É mais um demonstrativo do bom rock and roll psicodélico. Em “Fire”, a bateria de Mitch Mitchell volta a trabalhar bastante. A música flui em uma explosão de groove. O Red Hot Chili Peppers tocou “Fire” no festival Woodstock 99, em comemoração aos 30 anos do evento principal. Um clássico que não podia faltar nesta apresentação é “Voodoo Child (Slight Return)”. Seu riff é inesquecível e já entrou em muita lista dos melhores riffs de todos os tempos.

O momento mais sublime de “Live At Woodstock” é quando Jimi Hendrix toca o hino dos Estados Unidos em sua guitarra cheia de distorção e improvisações, contando ainda com a participação da bateria de Mitch Mitchell. A sonorização foi considerada por muitos como o efeito de bombas e metralhadoras, o que seria uma crítica à Guerra do Vietnã, que estava acontecendo.

Posteriormente, ele foi a um programa de televisão chamado Dick Cavett Show, uma espécie de Jô Soares daquela época, e foi perguntado a respeito de sua versão do hino, que os conservadores acharam transgressora. Jimi Hendrix declarou: “Eu achei que foi lindo”.

Depois deste momento mágico na faixa “Star Spangled Banner”, o hino dos Estados Unidos, Jimi Hendrix volta a dedilhar mais um grande sucesso. “Purple Haze” é mais um dos riffs inesquecíveis criados por este mágico guitarrista. Como era normal em um show de Hendrix, temos uma “Woodstock Improvisation” (improvisação) de quase quatro minutos de duração, com mais das habilidades do instrumentista.

Ele emenda “Villanova Junction”, mais uma faixa instrumental, só que agora mais down que a improvisação anterior. Jimi Hendrix fecha o seu show em Woodstock já passando das 10 horas da manhã de segunda-feira com mais um grande sucesso: “Hey Joe”. Composta por Billy Roberts, a faixa foi traduzida para o português por Ivo Meirelles e Marcelo Yuka e regravada pelo O Rappa, no disco “Rappa Mundi”, de 1996.

Jimi Hendrix foi um dos maiores guitarristas que já existiram. Teve uma curta carreira, lançou somente cinco discos em vida, de 1967 a 1970, ano de sua morte asfixiado no próprio vômito, encontrado em 18 de setembro. Nascido em 27 de novembro de 1942, em Seattle, nos Estados Unidos, morreu com apenas 28 anos.


Nota 9


Faixas de “Jimi Hendrix Live At Woodstock”

Disco 1

1. Introduction
2. Message to Love
3. Hear My Train A Comin'
4. Spanish Castle Magic
5. Red House
6. Lover Man
7. Foxey Lady
8. Jam Back At The House

Disco 2

1. Izabella
2. Fire
3. Voodoo Child (Slight Return)
4. Star Spangled Banner
5. Purple Haze
6. Woodstock Improvisation
7. Villanova Junction
8. Hey Joe

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