quinta-feira, 8 de maio de 2008

Os Mutantes (1968)

Em 1967, os Beatles chegaram ao seu auge com o disco “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, citado por muitos como o melhor álbum de todos os tempos. No ano seguinte, eles continuavam em grande estilo com o famoso “White Album”, também conhecido como o álbum branco. Mas o que isso tem a ver com os Mutantes? Tudo!

Os Mutantes são totalmente influenciados pelos chamados Fab Four, porém não se limitam a uma simples cópia, como aconteceu com outras bandas durante a Jovem Guarda. Com os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista e a cantora Rita Lee, a sonoridade beatle se mistura a regionalismos brasileiros o que findou em uma música extraordinária.

A qualidade foi tanta que até mesmo Sean Lennon, filho de John Lennon, talvez o mais famoso beatle, virou fã dos Mutantes. Num encontro com Arnaldo Baptista, Sean chegou a perguntar: “O que influenciou vocês para fazer esse som?”. O mutante sem pestanejar respondeu: “É óbvio que foi o seu pai!”.

O disco de estréia auto intitulado dos Mutantes data de 1968 e mostra que eles estavam bem informados do que acontecia com os Beatles. A psicodelia de “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” está presente de forma muito forte no álbum dos brasileiros. O disco de Arnaldo e companhia figura em várias listas dos mais importantes do Brasil.

Os Mutantes entraram no cenário nacional junto com a Tropicália, prova disso é sua participação na coletânea “Panis Et Circenses/Tropicália”, de 1968, com diversos artistas que marcaram o grupo capitaneado por Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Com a Tropicália e Os Mutantes, que contaram com a colaboração do maestro Rogério Duprat, o rock brasileiro chegava ao seu amadurecimento, deixando para trás a jovialidade inocente da Jovem Guarda e do início dos Beatles.

O disco “Os Mutantes” abre com os acordes do Repórter Esso, o principal noticiário da época, na canção “Panis Et Circenses”, considerada clássica por muitos críticos de música. A segunda faixa do álbum é de Jorge Ben: o samba-rock “A Minha Menina”. Já aí ficava visível a brasilidade do som da banda.

“Meu Relógio”, composta pelos Mutantes, é psicodelia pura com o sussurrar da voz de Rita Lee. “Adeus Maria Fulô” tem o remelexo da música brasileira com direito a cuíca e xilofone. Outro clássico do disco é a balada “Baby”, de Caetano Veloso, regravado muitas vezes depois, até mesmo no Acústico MTV da Gal Costa.

“O Senhor F” demonstra claramente a influência de Beatles no som mutante. Artifícios utilizados pelos britânicos como megafones também são explorados. Conforme Fábio Rodrigues no encarte da versão em CD do disco: “uma bandinha de jazz tradicional passeia ao fundo de Senhor F enquanto os Mutantes sugerem: ‘Dê um chute no patrão, dê um chute no patrão’”.

Outra canção também considerada clássica é “Bat Macumba” com sua letra dadaísta e onomatopéica. No retorno dos Mutantes em 2006, no seu DVD gravado ao vivo em Londres, esta música conta com a participação especial do cantor Devendra Banhart, fã incontestável de Caetano Veloso e do tropicalismo. Noah Georgeson também participa da gravação.

Os Mutantes mostram elitismo na francesa “Le Premier Bonheur Du Jour”. Sons tradicionalmente brasileiros voltam em “Trem Fantasma” e, depois, dão espaço a mais psicodelismo.

A marca registrada dos Mutantes está em “Tempo No Tempo”, versão de “Once Was A Time I Thought”, de J. Phillips. Um som muito próximo do que os The Doors fariam posteriormente permeia “Ave Gengis Khan”, que fecha um dos melhores discos de estréia de uma banda já feito.


Músicas de “Os Mutantes”

1. Panis Et Circenses
2. A Minha Menina
3. O Relógio
4. Adeus Maria Fulô
5. Baby
6. Senhor F
7. Bat Macumba
8. Le Premier Bonheur Du Jour
9. Trem Fantasma
10. Tempo No Tempo (Once Was a Time I Thought)
11. Ave Gengis Khan


Integrantes de Os Mutantes na época:

Rita Lee – vocal, percussão e flauta
Arnaldo Baptista – baixo e teclados
Sérgio Dias – vocal e guitarra


Site oficial: http://www.mutantes.com/


Para ver mais Os Mutantes:
Millennium - http://fotolog.terra.com.br/classicosdamusica:25

Um comentário:

Charles Henrique disse...

Parabéns pelo trabalho no JND!

Abraço!

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